Brasil sem carnaval, quem paga pra ver?

Desculpa Kaio Oliveira, #OrgulhodeSerNordestino eu também tenho, mas dessa vez vou ter que discordar...

Que beleza! Como diz o poeta em fevereiro tem carnaval, e com ele tem também o famoso catador de latinha. Sim, o que depende do carnaval para comprar o leite do filho. Depende? É por isso então que o governo investe milhões nos quatro ou mais dias de festa?
Que o carnaval faz parte da nossa cultura eu não discordo, que ele gera “emprego” aí já é pedir demais. No máximo ocupação. Os cantores e banda do gênero não dependem exclusivamente dele para arrecadar fortunas. Ou não vemos Ivete, Cláudia Leite e música idiota, do tipo ai se eu te pego, o ano todo?
Também não defendo sua extinção, até por que [o extinto seria eu] lazer é direito constitucional. Porém mesmo sendo um direito não me obrigo a vê-lo com bons olhos. E já digo por que. Bem, diferente da maioria dos caras da minha idade, eu passo sóbrio os quatro dias de carnaval e tradicionalmente estou inteiro na quarta-feira de cinzas para acompanhar nos jornais os números do feriadão. Geralmente compõem estes números caras, também da minha idade, que já não estão tão inteiros ou vivos como na sexta-feira antes da farra. Um preço que eu preferia não pagar em nome da “cultura”. E por falar em cultura, o que de fato é cultura na festa mais popular do Brasil? Avalie você mesmo e conclua “cara, caramba, cara, caraô...”
“A gente não quer só comida, a gente quer bebida diversão e arte”. E quem disse que eu quero diversão e arte uma vez por ano? Quem disse que o catador de latinha tem quer esperar o ano todo para que em fevereiro possa finalmente comprar o leite do filho? Sim, é uma ocupação digna, mas para fim de conversa eu pergunto: Quem quer ser catador de latinha quando crescer? Quanto dos milhões investidos na festa está indo para o bolso de quem mais trabalha? Centavos. Por que a Cláudia Leite, a Ivete (que eu adoro) ou o Chiclete com Banana têm que receber mais que os catadores? Se recebessem o mesmo eu também usaria a ocupação como justificativa.
E por fim, de fato tirar o carnaval do Brasil seria tão trágico quanto tirar o McDonalds dos Estados Unidos. +PENSE: Em 2008 as despesas médicas referentes a problemas com a obesidade nos EUA foram de US$ 147 bilhões. É importante lembrar que o Fast Food torna obeso mais de um terço dos adultos e 17% das crianças no país.   E no Brasil? Quanto se gasta antes, durante e depois com policiamento e emergência hospitalar? Prontidão incomum em dias normais quando, por exemplo, o trabalhador precisa ser socorrido. Impressionante, como para o bêbado fantasiado tem leito e segurança garantidos se no dia seguinte ele quiser retomar as atividades carnavalescas normais. Mas confesso, depois de passar pelo pesadelo que foi a greve da PM aqui no Ceará, ver dezenas de policiais na rua me anima a desejar que carnaval fosse o ano todo. Não seria necessário se durante o ano o retorno dos nossos impostos fossem serviços de qualidade compatível ao que pagamos.

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